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Dino determina que PF investigue interferências na atuação do Ministério da Fazenda no caso Master em 2022

Dino determina que PF investigue interferências na atuação do Ministério da Fazenda no caso Master em 2022

Foto: Divulgação / ANESP

 

 

 

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), ordenou que a Polícia Federal (PF) inicie uma investigação sobre possíveis crimes e interferências inadequadas na atuação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), vinculada ao Ministério da Fazenda, no caso do Banco Master.  A decisão se baseia em um relatório que revelou fragilidades estruturais na autarquia e falhas na investigação de denúncias sobre possíveis irregularidades associadas ao banco.

 

 

 

O relatório foi elaborado por um grupo de trabalho da CVM e apresentado nos autos da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7791, na qual o ministro Flávio Dino, relator, homologou um plano emergencial de reestruturação da autarquia proposto pela União.

 

 

 

Em fevereiro de 2022, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) denunciou à CVM possíveis irregularidades no Grupo Master, incluindo problemas financeiros, inconsistências contábeis, manipulação das cotações de fundos abertos e aplicação de recursos em ativos de baixa liquidez. Essa denúncia foi classificada como anônima, sem elementos suficientes para prosseguir, e acabou arquivada.

 

 

 

No relatório resultante de uma auditoria, o grupo de trabalho da CVM identificou falhas na divulgação de informações em 73% dos 314 processos relacionados ao grupo econômico, deficiências de compliance em 32%, além de ocorrências de possíveis fraudes contra investidores, uso indevido de informação privilegiada e manipulação de mercado. O documento indica que as condutas consideradas graves receberam tratamento restrito à emissão de ofícios de alerta, sem a abertura de um processo administrativo sancionador, e que o sigilo aplicado ao caso dificultou o compartilhamento de dados entre as áreas de fiscalização.

 

 

 

Fundo funerário

 

O relatório também menciona que um processo administrativo apurou indícios de manipulação de preços das cotas de um “fundo funerário” pelo Banco Máxima S.A., que posteriormente passou a ser chamado de Banco Master. O procedimento foi encerrado na esfera administrativa com a celebração de um termo de compromisso aprovado pelo colegiado da CVM, no valor de R$ 2,9 milhões.

 

 

 

Em 2021, a Superintendência de Relações com o Mercado e Intermediários (SMI) enviou ao Ministério Público Federal e ao Banco Central comunicações formais sobre os fatos apurados até então. Segundo Dino, esses fatos estão conectados a elementos examinados na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 1196, sob sua relatoria. No processo, que aborda a privatização de cemitérios em São Paulo (SP), foram identificados indícios de uso do fundo para a supervalorização artificial de ativos e a alocação de recursos em concessões de serviços públicos, especialmente nos setores funerário e cemiterial.

 

 

 

Possíveis irregularidades

 

Para o ministro, os elementos apresentados vão além da esfera de possíveis irregularidades meramente administrativas ou regulatórias. “Há indícios que configuram o dever legal de apuração de eventuais ilícitos relacionados à atuação funcional de agentes públicos vinculados à Comissão de Valores Mobiliários, assim como de autoridades de alto escalão que teriam influenciado processos decisórios na autarquia”, afirmou.

 

 

 

Determinações

 

A Polícia Federal deverá apresentar ao ministro, em um prazo de 60 dias, um relatório sobre as diligências realizadas, mantendo o sigilo das medidas investigativas em andamento.

 

 

 

Dino também determinou que a CVM forneça, em 72 horas, uma cópia do processo sobre as irregularidades do Master, além de informações sobre as unidades e instâncias que tiveram acesso ao expediente, os agentes responsáveis pela análise, as decisões e o arquivamento, o regime de sigilo aplicado, o compartilhamento de informações e as providências adotadas após o arquivamento.

 

 

 

 

 

Por Bahia Notícias

 

 

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