Foto: Rovena Rosa / Agência Brasil
Mais de 1,5 milhão de baianos foram diretamente afetados por desastres na Bahia em 2025. Conforme os dados do Atlas Digital de Desastres, painel atualizado anualmente pela Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec), esse número inclui pessoas desalojadas e desabrigadas, assim como feridos, enfermos e possíveis óbitos. Esses dados fazem parte do balanço de danos humanos dos desastres.
As informações do painel foram atualizadas no mês de maio. Por definição, desastres naturais são compreendidos como o impacto de um fenômeno natural extremo ou intenso sobre um sistema social (ou seja, um país, uma região ou uma comunidade com presença humana) e que causa sérios danos e prejuízos que excedem a capacidade dos afetados de conviver com o impacto.
Os dados foram segmentados no Atlas entre prejuízos humanos e econômicos. Nesta reportagem, serão abordados os dados relacionados aos prejuízos humanos dos desastres. Nesse eixo, são considerados o número de desabrigados e desalojados, o número de óbitos e o de diretamente afetados.
CENÁRIO DE DESASTRES
Conforme os dados do Atlas, a maior parte dos protocolos de desastres registrados no último ano se enquadra na categoria de desastres climáticos, a exemplo de secas e ondas de calor. Esse tipo de evento foi responsável por 208 protocolos, o equivalente a 73% do total. O segundo tipo mais comum são os desastres hidrológicos, como são chamados os eventos extremos relacionados à dinâmica da água, como inundações, enchentes, enxurradas e alagamentos, que representaram 23% do total.
O painel ainda contabiliza desastres meteorológicos, como tempestades (de chuva, granizo ou neve) e ciclones, que foram responsáveis por apenas um protocolo registrado na Bahia em 2025. Outros tipos de desastres representaram sete protocolos.
Entre os tipos de desastres, a seca e a estiagem, que são contabilizadas na mesma categoria, foram o motivo de 164 registros. O número é referente a 58% do total de protocolos. As chuvas intensas também provocaram 53 ocorrências de desastres climáticos no estado, representando 18,7% dos protocolos totais. Por fim, outros 44 registros foram feitos a partir de episódios de incêndio florestal.
Foto: Bruno Peres/Agência Brasil
Em 2025, não foram registrados óbitos em decorrência de desastres no estado. No entanto, 3.864 pessoas foram notificadas como feridas em decorrência desses eventos extremos. Esses dados de feridos e enfermos não foram detalhados por mês de ocorrência ou por municípios onde foram feitos os registros.
Os dados mais detalhados são de pessoas diretamente afetadas e de desabrigados/desalojados. No primeiro caso, foram mais de 1,5 milhão de pessoas afetadas, o equivalente a cerca de 10,61% da população baiana. Quase a totalidade dos registros dessa categoria envolve a seca e a estiagem: cerca de 98% das pessoas registradas foram afetadas por esse tipo de desastre. Em seguida, com um número bem reduzido, aparecem as chuvas intensas, com cerca de 1,8% dos registros.
Os meses de maior incidência de registros foram março, abril, maio e setembro. Destacam-se os municípios de Vitória da Conquista, no sudoeste baiano, com 66 mil pessoas diretamente afetadas por desastres; Caetité, no sertão produtivo da Bahia, com 48 mil registros; e Casa Nova, no sertão do São Francisco, com 44 mil pessoas diretamente afetadas.
Já o número de pessoas desalojadas ou desabrigadas chegou a 29,94 mil no ano passado. A maior parte das ocorrências foi registrada em épocas de grandes chuvas, como nos meses de novembro a janeiro — sendo este último o que obteve o maior número de protocolos abertos —, além de abril e maio. Entre os municípios, a cidade de Pau-Brasil, no litoral sul do estado, registrou 2.967 pessoas desalojadas ou desabrigadas; enquanto Macaúbas, na Bacia do Paramirim, e Brejões, no Vale do Jiquiriçá, registraram 2.608 e 2.240 protocolos, respectivamente.
As informações sobre os danos financeiros do estado podem ser conferidas na reportagem completa (acesse aqui).
Por Bahia Notícias
