Vorcaro denuncia ameaças e pressão para impedir delação: "temi pela vida"
Foto: Divulgação / Banco Master
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro relatou ter sofrido ameaças durante transferências realizadas após sua prisão e afirmou que as intimidações dificultaram sua tentativa de fechar um acordo de delação premiada. As informações foram reveladas pela revista Veja nesta sexta-feira (4), com base em depoimento prestado pelo empresário ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo Vorcaro, um dos episódios ocorreu durante o transporte de São Paulo para Brasília. Ele afirmou ter ouvido uma ameaça relacionada à possibilidade de revelar informações sobre uma pessoa apontada como “chefe”. “Nos transportes, desde a primeira vez, não somente com questões físicas, de torturas, de me deixarem em um caixote por seis horas, sem ar, suando, um transporte para pegar um transporte aéreo. E aí, quando eu abro a porta, eu já recebo uma fala: ‘Isso que dá, você vai querer falar disso do chefe? Vai acontecer isso’”, declarou.
Já durante uma transferência de helicóptero em Brasília, o banqueiro disse que voltou a ser intimidado. Conforme o relato, um dos agentes teria sugerido que seria mais fácil “jogar ele daqui”, enquanto a aeronave estava no ar. “Então, essa foi a outra oportunidade que eu temi ali pela vida. E foi durante todo o trajeto, durante todo o tempo, eu sofrendo esse tipo de intimidação”, afirmou.
O empresário associou as supostas intimidações à possibilidade de mencionar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, em uma eventual colaboração. Ele declarou que os dois mantinham uma relação e que Rodrigues teria participado de eventos ligados ao crescimento do Banco Master. Vorcaro também afirmou que tentava apresentar sua versão à PF havia cerca de nove meses, mas não conseguia avançar nas conversas.
Segundo ele, a Procuradoria-Geral da República adotou uma postura diferente e teria demonstrado maior disposição para ouvi-lo. Na tentativa de acordo, o ex-banqueiro afirmou ainda que pretendia citar “pessoas relevantes do atual governo” e instituições com as quais manteve relações. De acordo com o relato, parte dessas relações teria envolvido situações que, na avaliação dele, ultrapassaram “linhas de moralidade” e de “ilicitude”.
Por Bahia Notícias

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