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Marrocos culpa decisão judicial da Espanha por travessias em massa para Ceuta

Publicada em: 04/08/2026 06:49 -

Uma autoridade do governo do Marrocos atribuiu, nesta segunda-feira (3), a crise migratória registrada na fronteira com o enclave espanhol de Ceuta a uma decisão da Justiça da Espanha que limitou a devolução imediata de imigrantes. Segundo o representante, a medida enfraqueceu o efeito de dissuasão e foi explorada por redes de tráfico de pessoas.

De acordo com o governo espanhol, cerca de 69,5 mil imigrantes já retornaram de Ceuta ao Marrocos desde a travessia em massa da última semana. Já Rabat afirma que aproximadamente 40 mil pessoas conseguiram entrar no território espanhol.

Acusações e resposta

A autoridade marroquina negou que o país tenha reduzido o controle na fronteira antes da travessia e afirmou que cerca de 24 mil agentes atuam na costa norte para impedir a imigração irregular.

Segundo ele, a decisão judicial espanhola, tomada em 8 de julho, transmitiu a mensagem de que os migrantes estariam protegidos ao chegar ao território espanhol, incentivando novas travessias.

O presidente regional de Ceuta, Juan Jesús Vivas, acusou o Marrocos de ter permitido o fluxo de migrantes, enquanto a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, alertou contra o uso da imigração irregular como instrumento de pressão sobre um Estado-membro da União Europeia.

Mortes na fronteira

A crise deixou, até o momento, ao menos 83 mortos, sendo 72 no lado espanhol da fronteira e 11 no lado marroquino.

Apesar das críticas à decisão da Justiça espanhola, a autoridade marroquina afirmou que a cooperação entre os dois países no controle migratório era "exemplar" até a mudança nas regras e defendeu que cabe à Espanha restabelecer mecanismos de dissuasão à imigração irregular.

 

Foto: Reuters/Folhapress

Por: Metro1 no dia 03 de agosto de 2026 às 18:54

 

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